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Original Madman

“Não existe limites, a não ser aqueles que você mesmo pode se impor” costuma afirmar Bert Stern, um dos fotógrafos mais provocadores de todos os tempos, fervorosamente solicitado por Hollywood e paparicado pelas agências da Madison Avenue. Nos anos 50, Stern torna-se um pioneiro no poder conceitual das fotografias de publicidade e um ás da cultura impressa, que ele domina como um mestre.

Para conhecer a história de vida desse grande fotógrafo, contada por ele mesmo e com vários testeminhos, o documentário Bert Stern: Original Madman é uma excelente pedida. Recentemente lançado e dirigido pela cineasta Shannah Laumeister que, como muitas das mulheres na vida de Bert, começou um caso de amor com o fotógrafo através das lentes de sua câmer. Em “Original Mad Men”, o próprio Stern fala de sua paixão pelas mulheres e sua vida desregrada nos bastidores do showbizz.

Em junho de 1962, Bert Stern oferece para a Vogue americana 2500 fotos de Marilyn Monroe. Batizadas de “The Last Sitting”, provavelmente sua obra mais conhecida, estas fotos foram tiradas durante um período de três dias no Bel Air Hotel, em Hollywood. Fotografada envolvida num véu,  disfarçando um pouco sua nudez, Marilyn aparece quase natural. “O que queria era ver Marilyn em seu estado puro”, confirma Bert. A revista Vogue considera o resultado muito provocativo e encomendou uma segunda sessão de fotos e, desta vez, Marilyn posou com vestidos de alta-costura. No dia do lançamento da revista, anunciaram a morte da atriz. Sendo assim, Bert Stern foi o último homem a ter fotografado Monroe…

Juntamente com grandes nomes como Irving Penn e Richard Avedon, Stern, agora com 83 anos, atingiu um nível de sucesso com suas fotos icônicas que o definem como uma celebridade. “Bert Stern: Original Madman” está em cartaz nos Estados Unidos e ao redor do mundo a partir de hoje, 05 de abril, em conjunto com uma exposição apresentada na Galeria Staley-Wise, em Manhattan.

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Correr é preciso

Neste final de semana acontece a 37ª edição da Maratona de Paris e para injetar uma overdose de coragem aos corredores, sugiro essa série “Running” do fotógrafo Tabitha Soren. “Meu trabalho é sobre como as pessoas podem sobreviver ou não. É sobre decadência, sobre como a vida pode ser imprudente e como você tem que continuar, apesar de tudo. Exploro o como e o quê as pessoas podem escolher para manter-se acima das circunstâncias,” afirma o fotográfo.

Percorrendo várias cidades, da Califórnia à Boston, durante mais de dois anos, Soren se dispôs a clicar momentos autênticos que transmitem uma sensação de pânico e perigo iminente, impulsionado por uma narrativa ambígua. Uma série exclusiva dessas imagens encontra-se em exibição na Kopeikin Gallery, em Los Angeles. Ao observar essas imagens clicadas como se estivessem fora de ângulo a vontade que se tem é de sair correndo…

A exposição “Running” fica em cartaz de 13 de abril a 18 de maio na Kopeikin Gallery – 2766 South La Cienega Blvd, Los Angeles, California.

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Bela ilusão

Ela é uma das maiores artistas modernas e uma das representantes da nova geração de fotógrafos. A russa Katerina Belkina é uma estrela em ascenção no mundo da imagem com suas criações estéticas perfeitas e sua visão particular da arte. Para compor suas telas digitais, mulheres estontenates destilam toda sua sensualidade num olhar que exerce um fascínio fatal. Assim são suas imagens: fortes, atraentes e lascivas mas com um quê de crítica social embutido na bela embalagem.

Essas fotografias estão sendo apresentadas para o público durante a Art Paris Art Fair, onde Belkina expõe suas beldades numa metrópole futurista recriada mas que parece vazia e esse é de fato o nome dessa série “Empty Spaces”. Um lugar artificial, totalmente criado à imagem e semelhança de uma metrópole onde o ser humano se sente cada vez mais solitário e abandonado. Atenção: qualqueer semelhança com a realidade não é pura ilusão de ótica! Essa visão da fotógrafa instiga nossos olhos a ver além do óbvio e a perceber uma nova sociedade puramente materialista em expansão. Uma sociedade que se transforma em permanência e deforma nossos valores sem que percebamos. 

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Cocoricó

Sempre passei minhas férias de infância na casa da minha avó, numa cidadezinha calma e pitoresca no norte do Brasil. Ficava eufórica quando chegava lá e corria até o quintal, onde ela criava várias galinhas, apenas para vê-las comer milho e se disputar entre si. Os galos, como sempre, demarcando território com suas cristas vermelhas e atraentes, chamavam a atenção pela exuberância e porte altivo de “dono do terreno”. As galinhas, mais discretas, comiam juntas, em círculo, ou acompanhavam os seus pintinhos à procura de abrigo antes da noite cair.

Quando me deparei com as imagens do fotógrafo Ernest Goh, fiquei nostálgica, relembrando esse momento especial da minha infância. Goh, que nasceu em Cingapura, explica sua técnica para captar imagens da exuberância dessas aves. “Passo o dia observando atentamente seus movimentos sem provocar barulho ou causar nenhum impacto que as deixe estressada. Às vezes para conseguir uma única imagem, preciso ficar horas e horas, apenas aguardando o momento ideal para clicá-las”, comenta o fotógrafo. Até 31 de Janeiro, essa coleção estará em exibição e à venda na galeria Pobeda, em Moscou. Para maiores informações, clique  aqui: http://pobedagallery.com/

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Imagens bucólicas

O movimento recorrente das cachoeiras se eternizam com suas quedas d’água e o riacho que borda uma vereda em meio às montanhas parece ter sido desenhado. O Monte Saint-Michel aparece dominante e impacível ao longe, cercado pelas marés que o isolam do continente. Um lago congelado assemelha-se a uma vasta plataforma tendo no seu centro um único cisne. A solidão das embarcações que parecem ter náufragado na maré baixa revelam toda a sua pequenez em relação a dimensão do oceano.

Cada uma dessas imagens tem algo em comum: o estilo indiscutivelmente bucólico do húngaro Ákos Major. Esse ex-publicitário tem empregado todo o seu talento e olhar clínico para criar a ilusão de que é possível parar o tempo durante alguns décimos de segundo e eternizar o momento através do registro fotográfico.

Ákos Major, 38 anos, decidiu mudar de vida antes de embarcar numa viagem de aventura para o Marrocos. Depois dessa experiência e de ter conseguido ver o mundo sob uma outra ótica, ele começou a se dedicar à fotografia panorâmica e fixar com suas lentes tudo o que o circunda, de preferência, saindo para fotografar em dias cinzentos.

Segundo ele, “é preciso que a paisagem tenha um significado maior que a própria beleza explícita a fim de que, com minha câmera, consiga captar o mistério dos lugares”. Suas imagens surreais são de tirar o fôlego, graças à serenenidade e à placidez dos elementos que orquestram cada clique. O resultado dessa paciente exposição in natura são fotografias que cultuam uma grande abstração e convidam à reflexão. É quase impossível olhar para essas paisagens eternizadas em tons monocromáticos sem conceituá-las como sinônimo de paz de espírito. www.akosmajor.com

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Desirée Dolron

“Xteriors (2001-2006)” é uma série de retratos inspirados na misteriosa  tradição da pintura flamenca. O estilo deu fama internacional à Desiree Dolron que através dessas fotos revelam, acima de tudo, um trabalho impressionante com uso de técnicas especiais, como o sfumato, jogos de luz e movimentos suaves.

As imagens são trabalhadas digitalmente durante meses e processadas em grande formato entre 1m e 1,5 m. Pureza é o tema principal dessas linhas limpas com rostos que dão graça a essas mulheres quase fantasmagóricas, criando uma certa falta de limite entre o rosto e o plano de fundo.

Através dos olhares e expressões, esses retratos encaram o público numa atmosfera profundamente austera e enigmática. Foi isso que cativou o público e a fotógrafa o sabe muito bem. Ela fotografa o silêncio com temas fortes e nos faz mergulhar profundamente dentro de nós mesmos.

www.desireedolron.com

 

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William Eggleston

Ninguém sabe como ele conseguia essas cores intensas captadas num cotidiano banal. Dizem que em um segundo ele conseguia captar uma atmosfera colorida mas que seria necessário milhares de páginas para explicar cada clique. Através da fotografia William Eggleston conseguiu inventar uma outra maneira de revelar a América e o livro “Los Alamos” em seus três possantes volumes é testemunha desse empenho.

Relançado pela editora Steidl, “Los Alamos” tem pretensões de ser uma versão completa e desta vez não em um, mas em três volumes, com mais de 276 telas coloridas, dentre as quais 200 são inéditas. Três livros maravilhosos com imagens de carros abandonados, estacionamentos e armazéns vazios, espaços inabitados, uma soda esquecida no capuz de um Buick refletindo o sol do deserto no período da tarde. Cada foto aqui é simplesmente deslumbrante. Não é um segredo que os três volumes de Eggleston sejam uma coletânia de imagens fortes.

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Chuva poética

Segunda-feira chuvosa em Paris não é nenhuma novidade mas hoje teve um sabor especial. Enquanto fazia algumas pesquisas na internet me deparei com o site do fotógrafo Christophe Jacrot e fiquei absorvida com suas imagens pontilhadas pela água da chuva. Quanta paciência e sensibilidade para encontrar beleza nesse efeito da natureza que tanto me encanta. Imediatamente peguei meu guarda-chuva e saí para passear pelas ruas parisienses, apenas para sentir o que esse artista tão habilmente me transmitiu com suas belas fotografias.

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Identidade fotográfica

Os eventos são muitos e as imagens, múltiplas. Por isso, é preciso selecionar cada exposição subjetivamente, mas sem dilemas, afinal, tem fotografia de todos os estilos e com apelos emocionais diversos. A proposta então é escolher calmamanete o que se quer ver e, no final, descansar para conseguir assimilar tanta arte visual.

A sugestão da semana é a série minimalista “In the Snow”, de Donata Wenders, a esposa do cienasta Win Wenders. Suas imagens brincam com a luz com se fosse um espelho com efeitos de sombra. Fiel ao  preto e branco, a fotógrafa berlinense afirma ter sido inspirada por Henri Cartier-Bresson, Stieflitz Alfred e mais recentemente Peter Lindbergh. De 24 de novembro à 12 de janeiro de 2013 na Polka Galerie – 12, rue Saint-Gilles, Paris 03.

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Testino de novo

Esse ano é dele, ou melhor, foi, já que estamos nas últimas semanas de 2012. Mario Testino não precisa de credenciais de fotógrafo porque ele é o paparazzi mais adorado de todo o showbizz. O Museum of Fine Arts Boston inaugurou a bela exposição “In your face” que apresenta comme il faut todo o talento estético e visual de Testino através de suas beldades preferidas. Todas as grandes modelos já foram fotografadas por ele e nesse evento em especial tudo fica literalmente às caras e nas telas: Giselle Bündchen está lá, Naomi, as Kate Moss e a princesa Middleton, também, além de várias imagens dos editoriais mais badalados das revistas de moda, como Vogue e Vanity Fair.  Imperdível até fevereiro de 2013.

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