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Endereços fantasmas

“Quem ainda hoje acredita em fantasmas, envolvidos em lençóis brancos esvoaçantes voando pelos corredores como nos romances de Walter Scott? No entanto, muitas vezes, durante meus passeios em Paris, parando em frente a uma placa “Aqui viveu…”,  senti um calafrio. E isso aconteceu em frente às residências de Lautrec, Marquet, Gauguin, Atget, Calder, Beckett, Michaux e Follain, entre outras memoráveis pessoas que partiram sem deixar um endereço. Nesses passeios senti-me confrontado com fantasmas, que me perseguiram até que eu os deixasse falar.”

Esse é um dos relatos do escritor Michel Longuet, autor do livro “Adresses fantômes”, literalmente “Endereços fantasmas”, lançado pela editora Grasset.  Longuet, em sua missão de seguir os passos de figuras cultuadas pela memória coletiva como Méliès, Beckett ou Calder, passeia por Paris armado com sua erudição, seu caderno e sua caneta para visitar endereços históricos. Alguns deles,  como o número 13 da rue Laffitte, onde Gauguin trabalhava, ou o portal do atelier de Toulouse-Lautrec na rue Frochot ou ainda a casa de Jean Follain,  bombardeada, em Saint-Lô.

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La Casta

Água, pedra bruta, luz e sombra. Estes foram os elementos naturais que, associados, às linhas sóbrias e gráficas da arquitetura suíça, desenharam em preto e branco as curvas sensuais da atriz Laetitia Casta. Longe dos estúdios, a fotógrafa convidou Laetitia a passear nua durante três dias por entre as salas das termas de Vals, enquanto ela se ajustava à luz e às sombras do local para delinear a escultural atriz. Em nenhum momento Laetitia aparece completamente nua, ela mostra algumas partes do seu corpo, evidenciando uma fotogenia fora do comum. O livro, lançado recentemente pelas edições Xavier Barral, em Paris, é uma ode ao corpo feminino e uma forma de sublimar a beleza das termas de Vals e a arquitetura suíça de Peter Zumthor.

Dominique Issermann é uma habituée do mundo da moda, das artes e da publicidade. Uma das suas primeiras fotos mostrava a coleção de lingeries criadas por Karl Lagelfeld para Chloé, nos anos 70. Desde então ela assina as campanhas publicitárias dos perfumes Chanel, Dior, Lancôme e as coleções de moda de Claude Montana, Thierry Mugler, Sonia Rykiel, Saint Laurent, além de ter vários artistas que já posaram para ela, como Catherine Deneuve, Isabella Rossellini, Jane Birkin, Gérard Depardieu e Balthus. No cinema, Issermann acompanhou as filmagens de « 1900», de Bernardo Bertolucci, e « Casanova », de Fellini para compor o editorial da revista « Zoom ».

“As imagens em preto e branco sugerem uma obra artística, enquanto as fotos coloridas parecem estar coladas à realidade. Prefiro as primeiras, que me permitem fazer uma reinterpretação do que vejo”, afirma a fotógrafa. Reputada por não utilizar nenhuma luz artificial fora dos estúdios, Dominique Issermann se valeu da arquitetura das termas de Vals para, de acordo com a luminosidade local, fotografar a atriz. « Não tinha comigo nenhum spot ou refletor, o que fiz foi me apropriar da luz natural que passava por entre as fendas. Essa luminosidade parecia desenhar um caminho luminoso, que eu e Laetitia seguíamos. Era uma espécie de jogo entre a sombra e a luz.”

Nas fotografias a atriz mostra algumas partes do seu corpo e esconde outras, enquanto anda entre os corredores ou posa debaixo da água, confiando sua nudez à Dominique Issermann, que capta toda sua beleza numa coreografia improvisada. “Uma mulher bonita, curvilínea e nua, colocada na perspectiva de um edifício de arquitetura minimalista, não deixa de ser uma construção metafórica sobre a harmonia de gêneros diferentes”, resume o fotógrafa.

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