Caracol moderno

Metropol Parasol é a maior estrutura construída em madeira do mundo e novo ícone arquitetural de Sevilha, na Espanha, que abriga restaurantes, lojas e museu de arqueologia. Extremamente moderno com seus amplos espaços, Metropol Parasol contrasta com o bairro medieval que cerca o projeto. Das suas passarelas, localizadas na cobertura, os visitantes tem uma incrível vista panorâmica da cidade.

Proeza da arquitetura e obra de arte monumental, Metropol Parasol se impõe pelas suas dimensões onde, uma única peça de 18 mil m² de madeira Kelton, abriga seis parassóis gigantes de 26m de altura que se abrem sobre a Plaza de la Encarnación. O projeto é do escritório alemão J. Mayer H. Architects, que ganhou a concorrência internacional lançada por Sevilha em 2004 para renovação do seu centro histórico.

Erguido onde antes funcionava um estacionamento, essa estrutura em formato de champignon gigante cobre uma área de 150m x 70m e parece, literalmente, flutuar na Plaza de la Encarnación, graças à utilização de diferentes materiais, como o granito empregado para manter uma certa uniformidade urbana, enquanto o metal usado dá sustentação às bases das pilastras interiores. Estas desaparecem, à quatro metros de altura do solo, para revelar primorosas tramas desenhadas na madeira que compõem a cobertura porosa do prédio. O museu de arqueologia, assim como algumas lojas e mercados, se localizam na parte inferior do edifício. As grandes escadas que serpenteiam a obra são um convite para acessar a esplanada e descobrir, no coração de Metropol Parasol, um impressionante jogo de luz e sombra.

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Malas com grife

Para entender o fascínio que os acessórios LVMH provocam, visitei os ateliês da marca nos arredores de Paris. No final de uma ruela que leva o nome do fundador, Louis Vuitton (1821-1892) montou em 1859 seu primeiro atelier, que fica em Asnières-sur-Seine. Situado ao norte da região Île-de-France e muito longe da loja global dos Champs Élysées, em Paris, as famosas malas e bolsas mais desejadas do planeta são fabricadas. Raros são os que podem adentrar para conhecer o DNA da marca, apenas convidados e jornalistas recebem o free-pass para visitar esse espaço quase rural.

Após atravessar o jardim, fomos recebidos na antiga residência da família com decoração, vitrais e mobiliário Art Nouveau, para descobrir os ateliês dessa autêntica maison. Em 2005, após um ano de renovação completa, as oficinas em Asnières foram reabertas e acolhem atualmente mais de 200 funcionários e a parte administrativa. Fiel às origens da arquitetura do local, os ateliês tem grandes janelas envidraçadas que permitem aos artesãos trabalharem sob o benefício da luz natural.

Aqui, em Asnières-sur-Seine, os artesãos são considerados como os verdadeiros artistas da marca. Uma equipe polivalente de especialistas para assegurar todos os pedidos personalizados que chegam do mundo inteiro. No total, cerca de 450 encomendas especiais são realizadas anualmente e muitas delas podem levar até seis meses para serem finalizadas.

Nesse bucólico endereço um dos herdeiros do grupo, Patrick-Louis Vuitton, que nasceu na casa colada aos ateliês, trabalha como Diretor do departamento de Encomendas Especiais e do projeto Excelência do savoir-faire, que tem como atributo estudar as solicitações personalizadas feitas pelos clientes. O local também abriga o Museu do Viajante com os protótipos das malas e os primeiros logos criados por Louis Vuitton.

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Arquiteturas pintadas

O Museu Thyssen-Bornemisza, em Madri, expõe até este mês grandes quadros de arquitetura, pintados nos séculos XIV e XVIII,  que desvendam a evolução arquitetônica dos tempos. Duccio di Buoninsegna, Canaletto, Giovanni Paolo Panini, Tintoretto, Gaspar van Wittel, Hubert Robert, Maerten van Heemskerck, Hans Vredeman de Vries são alguns dos grandes pintores que retrataram com sua arte a arquitetura secular da Europa.

Através de 140 telas com esse mote,Arquiteturas pintadas, do século XVIII ao Renascimento”, busca destacar as nuances que aparecem nessas obras para melhor compreender a evolução arquitetônica ao longo dos tempos. O fio condutor dessa mostra envolve arquitetura e decoração como elementos artísticos a partir dos quais os mestres da pintura se concentravam com o intuito de lançar um olhar artístico sobre a realidade daquela época.

A exposição é organizada como numa turnê, obedecendo uma ordem cronológica e temática, cobrindo ao mesmo tempo os séculos XIV e XVIII. Durante esta época, a pintura da arquitetura das cidades era considerada um gênero inferior e foi muitas vezes usada como pano de fundo de cenas religiosas, históricas, mitológicas, mas ganhou destaque cada vez maior, chegando a se consolidar como um gênero independente de arte no século XVIII.

Para ilustrar esta fase, a cenografia da exposição concentrou-se sobre algumas telas, que retratam com grandiloqüência paisagens em ruínas e os caprichos arquitetônicos da realeza. Ainda naquele século, um número significativo dos pintores mais importantes, dedicou-se a trabalhar como cenógrafos, inclusive, com arquitetos importantes como Filippo Juvarra, que influenciou toda a Europa.

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Indochina

Um artista é alguém que pensa com as mãos. Alguém que transpõe para a tela tudo o que vê. Sem dúvida esse era um dos atributos que não faltavam a Alix Aymé, que durante suas viagens à China, ao Camboja, ao Laos, ao Vietnã e à Indonésia transformou todas as suas experiências visuais em obras de arte. O livro “Alix Aymé, uma artista pintora na Indochina, 1920-1945”, publicado em versão bilingüe francês-inglês, pela editora Somogy, contém 120 páginas com igual quantidade de ilustrações, que perfazem 25 anos fazendo referência às principais obras reproduzidas em tela, aquarelas e laca dessa pintora magistral.

Alix Aymé nasceu em Marselha, em 1894, com o nome de Alix Angèle Marguerite Hava. Ela foi aluna e colaboradora de Maurice Denis (1870-1943), reconhecidamente um dos maiores pintores de sua época, que tem como características artísticas realizar grandes composições decorativas num estilo clássico. O melhor exemplo de sua obra é a ornamentação do teto do teatro parisiense Champs-Élysées, executada em 1912, que contou com a participação de Aymé. Algumas das páginas de “Alix Aymé, uma pintora francesa na Indochina, 1920-1945” reproduz uma dezena de correspondências trocadas entre a aluna e o eterno mestre. Numa delas, a artista comenta suas aventuras, as descobertas feitas nesses países tão longínquos e sobre os novos estilos artísticos que encontrava.

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Arte móbile

Homenageado pelo Guggenheim de Nova Iorque, o artista italiano Maurizio Cattelan escolheu suspender suas obras em lugar de distribuí-las nas salas. Resistindo ao modelo convencional, Cattelan criou um mecanismo contrário aos hábitos constituídos pelos museus e suspendeu suas obras como peças de roupas colocadas para secar ao sol.

O grande átrio do Guggenheim de Nova Iorque está irreconhecível com as centenas de peças do multimídia Maurizio Cattelan. Especialmente para essa retrospectiva nenhuma de suas obras, nem mesmo as fotos ou ilustrações estão na parede, todas elas se encontram suspensas por meio de centenas de cordas e andaimes. A intenção dessa proposta é não apenas evitar uma apresentação linear mas, também, driblar a postura imposta ao espectador, comumente visto no processo de reflexão, em frente a uma obra, num museu tradicional.

A exposição “All” é uma retrospectiva solo em torno do artista que abrange cerca de 130 obras, datando do início da sua carreira, em 1989, além de peças impossíveis de serem reconstruídas e projetos mais recentes. As propostas artísticas de Cattelan estão relacionadas a temas como religião, crítica social e cultura popular, desenvolvidas a partir de uma perspectiva única, com ênfase na ironia e irreverência. Uma fórmula usada para atrair a atenção sobre sua arte simbólica que o artista pretende aposentar, tão logo a exposição chegue ao fim.

 

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H.Stern

Completamente reformada, a loja da H.Stern, na Quinta Avenida, em Nova York, foi pensada para que os clientes se sintam confortáveis, num ambiente aconchegante e sofisticado, na hora de adquirir jóias com o design das pedras preciosas Made in Brazil. Do alto do mezzanino com seu piso envidraçado, avista-se a loja toda, inclusive, a charmosa bancada que serve café e deliciosos petiscos para uma parada estratégica.

www.hstern.com.br

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Anne Fontaine

Estilista brasileira sensação na Europa, Anne Fontaine ocupa uma suntuosa Flagship Store na Madison Avenue. A famosa marca, emblemática pelas camisas brancas, recebe os clientes  mantendo uma relação íntima e misteriosa através de enormes janelas em fumê que escondem um interior composto exclusivamente de materiais naturais em tons brancos.

Boutique Anne Fontaine – 677, Madison Avenue  New York, NY 10065.

 

 

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Uma loira em Manhattan

Autor francês conta em livro como foi feita a fotografia que mostra Marilyn Monroe se perfumando com o Chanel nº 5. A imagem de Marilyn Monroe colocando sensualmente algumas gotas do perfume Chanel em sua suíte no Ambassador Hotel, em Nova York que, é tão mítica quanto a super-star, mas essa fotografia poderia nunca ter sido conhecida do grande público se não fosse a obstinação de um detetive que buscava pistas sobre a história de um certo fotógrafo, Ed Feingersh.

Essa e muitas outras histórias podem ser conferidas no livro “Uma loira em Manhattan”, de Adrien Gombeaud, lançado pela editora francesa Le Serpent à Plumes, que descreve uma parte esquecida desse encontro repleto de belas imagens entre o fotógrafo Ed Feingersh e a atriz Marilyn Monroe. O livro-documentário revela algumas passagens desse mito dos anos 50 e um fotógrafo conhecido por seu talento, mas não na mesma proporção que a artista.

“Das lentes de Ed Feingersh jorram imagens sensíveis de uma mulher cheia de energia mas que passava da melancolia à alegria e à tristeza em questão de segundos. Tal qual uma atriz que sabe muito bem esconder seus reais sentimentos”, relata o autor Adrien Gombeaud. “No entanto, alguns desses clichês mostram a verdadeira Marilyn, angustiada pelo peso do seu estrelato e uma mulher inteligente, com uma mente incrível, alguém que estava muito além do seu tempo”, atesta Gombeaud.

O ano é 1955 e Marilyn Monroe, cansada de ser tratada como ‘loira sem cérebro’, decide abandonar Hollywood e seu marido Arthur Miller para recriar sua imagem e se livrar em parte da pressão dos estúdios da Twentieth Century Fox. Sozinha e livre para se reinventar, ela frequenta a elite intelectual novaiorquina e os cursos do Actors Studio, além de ter como objetivo criar sua própria produtora de filmes, a Marilyn Monroe Productions. Nesse mesmo período a revista feminina Redbook engaja Ed Feingersh para acompanhar Marilyn Monroe durante uma semana.

Cinquenta anos depois da aparição dessas imagens, descobertas por acaso, algumas das perguntas que ficam é: o que aconteceu durante essa semana? Qual a relação que nasceu entre o fotógrafo e sua modelo? O que as fotografias não revelaram? Até que ponto Marilyn Monroe não se forjou um personagem dela mesma? Sem pré-julgamentos, Adrien Gombeaud tenta decifrar e responder de forma elegante a essas e outras questões a partir de uma pesquisa documental fundamentada nas histórias impressionantes em torno dessas fotografias, relatadas através de entrevistas com os amigos de Ed Feingersh e os editores da revista Redbook.

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Queue-de-pie

Couro de crocodilo transforma-se em smoking para ser a grande vedete da retrospectiva em torno de Azzedine Alaïa. De frente, um simples smoking em formato queue-de-pie esconde nas costas a extraordinária pele de um crocodilo e toda a genialidade do estilista tunisiano Azzedine Alaïa, 71 anos. “A ideia surgiu durante uma das minhas visitas aos arredores de Paris, onde costumo escolher peles raras”, conta o estilista. “Quando avistei essa peça em couro, que reproduz quase em sua totalidade o formato do animal, pensei em criar esse smoking.” A invenção insólita fica em exposição até maio no Museu Groninger, na Holanda.

Além dessa inspiração original, longos e insinuantes vestidos, que sugerem formas perfeitas e curvilíneas à la Belle Époque, estão expostos para apreciação dos visitantes. Casacos, mantôs, fourrures e peles de cordeiro da Mongólia, desenhados propositalmente para envolver com volúpia o corpo feminino, marcando a cintura e delineando os seios, estão dispostos por família de tecidos, onde as roupas parecem se comunicar entre si. O museu estabeleceu para cada sala uma cenografia diferente que obedece aos critérios das matérias-primas utilizadas: couros exóticos, musseline de seda, malha ou veludo.

Conhecido pela sua ousadia criativa que transforma as mulheres em estátuas de perfeição com costuras que transcendem as linhas clássicas, Alaïa é um verdadeiro criador de roupas no sentido estrito do termo. Diferentemente dos designers que fazem burburinho na moda, ele mantém-se discreto e pouco afeito ao showbizz. Isso não impede que personalidades glamourosas, como Naomi Campbell ou Mathilde de Rothschild, desfilem suas criações sensuais em festas badaladas.

No século passado Greta Garbo assumiu com desenvoltura e elegância um tailleur cor-de-rosa e neste século 21 Sofia Copolla e Michelle Obama não resistiram ao fascínio do traço desse costureiro apaixonado pelo seu ofício. A cineasta escolheu um vestido discreto para seu casamento no ano passado e a Primeira Dama dos Estados Unidos encarnou um tricotado teatral ao estilo Alaïa. Alçado ao Olimpo dos grandes estilistas, como Christian Dior, Madeleine Vionnet, Cristobal Balenciaga e Madame Grès, Azzedine Alaïa é um dos últimos costureiros em atividade capaz de transformar um vestido drapeado numa obra de arte.

Para transmitir seu savoir-faire o estilista pretende criar uma fundação onde os estudantes de moda possam aperfeiçoar seu talento. Além de abrigar sua coleção pessoal de roupas de alta-costura e fotografias, uma das paixões do estilista, o objetivo da instituição é ensinar aos jovens designers a arte de costurar.

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