Obras efêmeras

A Taschen lançou um livro em homenagem à celebração dos 40 anos da Serpentine Gallery, Inglaterra, que anualmente, há mais dez anos, convida um arquiteto internacional para redecorar seu pavilhão de verão, uma obra  efêmera que dura apenas seis meses. Através de belas imagens, o livro relata os projetos arquiteturais erguidos nesse período, evocando nomes como Oscar Niemeyer, Zaha Hadid, Daniel Libeskind, Álvaro Siza, Souto de Moura, Rem Koolhaas, agência Sanaa e Jean Nouvel, que exerceram todo o seu talento no local.

Na capa dessa edição comemorativa encontra-se a obra de Nouvel (2010), uma extensão em aço que acolhe um café-restaurante, totalmente vermelha, em  contraste com o verde do parque que cerca a galeria. Dominando um espaço de 12 metros, o arquiteto escolheu a cor vermelha como uma referência direta às imagens icônicas do universo londrino: cabines telefônicas, caixas de correio “Royal Mail” e ônibus turísticos. À venda nas melhores livrarias ou pelo site: www.taschen.com

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Eterno YSL

Monsieur Saint Laurent não era uma pessoa fácil de se revelar, ser filmado então, nem se fala, mas o grande costureiro permitiu que Jérôme de Missolz invadisse sua privacidade para registrar para a posteridade seus dictaks e sua extrema sensibilidade. Tudo está documentado no DVD “Yves Saint Laurent – tout terriblement”, lançado pela Arte Éditions (francês/inglês), que foi rodado no verão de 1994 nas residências do estilista em Paris, Marrakech, Deauville e durante a preparação de uma coleção de alta costura. O filme foi concebido como uma confissão, que rende homenagem ao Pequeno Príncipe da alta costura e suas belas criações. Um mergulho intimista na obra do costureiro mais misterioso que o mundo fashion já conheceu, mostrando o perfil filosófico e artístico de Yves Saint Laurent. Exclusivamente indicado para os apaixonados por moda.

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Hospedagem no deserto

Matali Crasset se inspirou na cultura local da Tunísia para dar um toque original e inconfundível à arquitetura na cor ocre do Dar Hi Hotel. A apenas 15 minutos do aeroporto de Tozeur, Nafta é um portal para o sul, situado no deserto da Tunísia, entre Chott El-Jerid e uma infinidade de dunas de areia, é nesse cenário de sonhos que o hotel Dar Hi foi imaginado e concebido como uma cidadela.

Neste resort as paredes são feitas de tijolos de argila na cor ocre, respeitando a cultura local, idem para os telhados e portas em madeira de palma. A pintura foi substituída por um gesso natural que serve de revestimento, feito à base de corantes naturais em cores vivas, como o laranja e o azul celeste. A construção do hotel, totalmente em harmonia com a natureza, funciona tal qual um habitat tradicional, da decoração em móveis de madeira maciça ao aquecimento feito com lareiras. O hamman do hotel, batizado de HI body and soul, é abastecido por uma nascente natural de água quente proveniente do deserto, que oferece aquecimento geotérmico para a sala à vapor oriental.

Utilizando o savoir-faire local em todos os detalhes, a designer francesa trabalhou em estreita cooperação com os artesãos da Tunísia para transformar os espaços do Dar Hi em nichos suspensos com enormes janelas, decoradas por almofadas coloridas, que dão a impressão de fazer parte da paisagem. Deste ponto de vista privilegiado, é possível observar, na linha do horizonte, a cidade histórica de Nafta e os oásis.

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La Casta

Água, pedra bruta, luz e sombra. Estes foram os elementos naturais que, associados, às linhas sóbrias e gráficas da arquitetura suíça, desenharam em preto e branco as curvas sensuais da atriz Laetitia Casta. Longe dos estúdios, a fotógrafa convidou Laetitia a passear nua durante três dias por entre as salas das termas de Vals, enquanto ela se ajustava à luz e às sombras do local para delinear a escultural atriz. Em nenhum momento Laetitia aparece completamente nua, ela mostra algumas partes do seu corpo, evidenciando uma fotogenia fora do comum. O livro, lançado recentemente pelas edições Xavier Barral, em Paris, é uma ode ao corpo feminino e uma forma de sublimar a beleza das termas de Vals e a arquitetura suíça de Peter Zumthor.

Dominique Issermann é uma habituée do mundo da moda, das artes e da publicidade. Uma das suas primeiras fotos mostrava a coleção de lingeries criadas por Karl Lagelfeld para Chloé, nos anos 70. Desde então ela assina as campanhas publicitárias dos perfumes Chanel, Dior, Lancôme e as coleções de moda de Claude Montana, Thierry Mugler, Sonia Rykiel, Saint Laurent, além de ter vários artistas que já posaram para ela, como Catherine Deneuve, Isabella Rossellini, Jane Birkin, Gérard Depardieu e Balthus. No cinema, Issermann acompanhou as filmagens de « 1900», de Bernardo Bertolucci, e « Casanova », de Fellini para compor o editorial da revista « Zoom ».

“As imagens em preto e branco sugerem uma obra artística, enquanto as fotos coloridas parecem estar coladas à realidade. Prefiro as primeiras, que me permitem fazer uma reinterpretação do que vejo”, afirma a fotógrafa. Reputada por não utilizar nenhuma luz artificial fora dos estúdios, Dominique Issermann se valeu da arquitetura das termas de Vals para, de acordo com a luminosidade local, fotografar a atriz. « Não tinha comigo nenhum spot ou refletor, o que fiz foi me apropriar da luz natural que passava por entre as fendas. Essa luminosidade parecia desenhar um caminho luminoso, que eu e Laetitia seguíamos. Era uma espécie de jogo entre a sombra e a luz.”

Nas fotografias a atriz mostra algumas partes do seu corpo e esconde outras, enquanto anda entre os corredores ou posa debaixo da água, confiando sua nudez à Dominique Issermann, que capta toda sua beleza numa coreografia improvisada. “Uma mulher bonita, curvilínea e nua, colocada na perspectiva de um edifício de arquitetura minimalista, não deixa de ser uma construção metafórica sobre a harmonia de gêneros diferentes”, resume o fotógrafa.

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Beluga I

Até há pouco tempo, o Beluga, um gulet turco de 28 metros, era de uso exclusivo apenas da família e amigos próximos. Agora, esse segredo bem guardado tornou-se público graças à ideia de transformá-lo em um luxuoso charter, utilizado para oferecer cruzeiros privados pela costa da Croácia, tendo como cartão de visitas cerca de 1.300 lugares secretos entre belas ilhas e praias paradisíacas.

“O mar na costa da Croácia é um dos mais transparentes da Europa e em algumas épocas do ano pode ser tão azul quanto no Caribe”, confirma o capitão Michael Bird, que abandonou sua carreira de banqueiro para se dedicar a sua empresa Dalmatian Destinations, especializada em cruzeiros personalizados de luxo. “Beluga vai navegar a partir do sul, saindo de Dubrovnik e indo para o norte, até Veneza, na Itália, se o hóspede assim o desejar. Em qualquer das hipóteses, o itinerário é sempre montado de acordo com os desejos dos clientes, nós apenas oferecemos nossa expertise na região”, admite.

Ao entregar o caminho do ouro, o capitão Michael Bird revela que nenhum dos destinos, entre a Croácia e Montenegro, é desconhecido para ele, que faz suas pesquisas de campo, juntamente com sua equipe, para coletar informações antes de propor ou sugerir qualquer rota turística para os clientes. A Croácia tornou-se um dos destinos mais populares na Europa, porque a sua costa é repleta de praias intactas.

São mais de 1.100 km de costa com cerca de 1.400 ilhas, apenas 50 das quais são habitadas, o litoral oferece uma velocidade de veleiro espetacular e a distância entre as praias e ilhas é de apenas 5 milhas. Não existe nada assim comparável na Europa. “O litoral da Croácia é único, passando pelas ilhas é possível ver as vinhas e antigas residências com seus terraços debruçados sobre o mar. O mais incrível é que apesar de toda essa beleza, o turismo de massa ainda não invadiu o litoral, talvez porque sua costa é íngreme e os lugares mais exuberantes, de difícil acesso”, comenta o Capitão Bird. O Beluga I acomoda no máximo sete pessoas e está disponível para charter por 40.000 Euros por semana com uma base de pensão completa.

www.dalmatiandestinations.com

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Adeus jetlag

Novo point do design e das artes londrinas, o Andaz Liverpool Street Hotel marcou presença durante o London Capital do Design, abrigando a instalação “Once Upon a Dream” uma cama desenhada pelo designer francês Mathieu Lehanneur, encomendada especialmente para os clientes do champagne Veuve Clicquot. Trata-se de um leito retrô-futurista, que é uma verdadeira experiência de dormir com luxo, criado para globetrotters e viajantes inveterados obterem o melhor descanso físico num menor espaço de tempo possível. Pensado para otimizar e curar qualquer jetlag, a recuperação física de quem se deita nessa cama se dá através de iluminação especial, equilibrando o ruído à temperatura ideal com cortinas que ajudam a criar o efeito de um cocoon.

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Dormindo com Marilyn

Uma proposta irrecusável feita pelo Hotel Platine, em Paris,  que convida seus hóspedes à idolatrar a imagem da estrela de cinema. No ano em que Marilyn Monroe é a grande homenageada do Festival de Cinema de Cannes, aproveitamos para dar uma espiada em avant-première na imagem sensual da atriz, que impregna todos os ambientes do recente Hotel Platine, localizado nas proximidades do Sena e da Torre Eiffel, em Paris. Logo na entrada, a sensação que se tem é a de fazer parte de um verdadeiro set de filmagem e a aventura começa imeditamente nos elevadores com a retransmissão em telas difusas de filmes de época com a presença da estrela.

Na verdade, o clima de “Atenção, silêncio, filmando” está presente em todos os espaços com projetores antigos e as famosas cadeiras usadas pelos diretores de cinema com nomes gravados Clarck Gable ou Marilyn Monroe. O tom descontraído do local fica por conta do Honesty bar, aberto ao público, e pensado como um típico american bar. A atmosfera e o mobiliário em tons pastel e piso xadrez fazem referência a uma América totalmente fifties com alusões à sétima arte. O melhor desse bar totalmente dandy, é a incrível coleção de charutos do mundo inteiro que não vai decepcionar os apreciadores de uma boa baforada.

Como não poderia deixar de ser, a vedete do espaço com sua plástica de femme fatale e ares de elegância, embeleza todos os recantos desse hotel quatro estrelas. Para criar esse ambiente intimista com a atriz, o designer e arquiteto de interiores Vincent Bastie incorporou na decoração o espírito vintage da Hollywood dos anos 50, usando como referência as predileções da atriz, como o vermelho, sua cor emblemática, o perfume Chanel Nº 5 e as rosas, sua flor preferida.

É impossível não idolatrar Marilyn Monroe, enquanto se circula pelo Platine, que evidencia sua beleza sensual em reproduções gigantes em preto e branco, clicadas por André Dienes e George Barris, que envelopam das paredes ao teto. Inclusive, no mini-Spa com sauna, hamman e sala de fitness, Miss Monroe aparece etérea em belas fotografias e sem uma única gota de suor, enquanto os marmanjos suam a camisa.

www.platinehotel.fr

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Vik Muniz no Lutetia

O brasileiro Vik Muniz, o americano Elliot Erwitt, o japonês Keichii Tahara e o europeu Mimmo Jodice receberam carta branca para exprimir toda a sua arte nas suítes batizadas de Rotondes. Durante um ano cada uma dessas quatro suítes vai  se tornar uma espécie de galeria fine art privada com imagens cedidas pela Maison Européenne de la Photographie que evocam o perfil eclético desses artistas.

Esse emblemático hotel rive gauche, verdadeiro patrimônio francês, celebrou o seu centenário sublimando esses quatro quartos, sem contudo, abandonar. A representação da América do Sul coube à Vik Muniz, um hóspede fiel do Lutetia, que selecionou as imagens a serem expostas na suíte que leva seu nome. Entre as obras escolhidas por Muniz, consta o quadro com a imagem de Brigitte Bardot pontilhada em diamantes, da célebre série “Diamond Divas”, onde o contorno do rosto da famosa francesa foi recoberto com quase meio quilo de diamantes. Tem ainda Marilyn Monroe decalcada em chocolate e a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, com sua efígie reproduzida com peças de quebra-cabeça.

Todavia, dentre todas essas obras, a mais impressionante continua sendo o próprio hotel Lutetia, que atravessou várias décadas, com seu clássico estilo dos anos 1930 e sua soberba arquitetura que evidencia o mais puro estilo Art Déco para deleite dos parisienses e para todos os visitantes da Cidade-Luz. Hotel Lutetia: 45, Boulevard Raspail, Paris 07. www.lutetiaparis.com

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Rigor formal

A artista brasileira Lygia Pape, que imprimiu sua marca na arte Neoconcreta brasileira, está sendo homenageada na Serpentine Gallery pela sua ousadia e rigor formal. “Espaço magnetizado” é a primeira grande exposição do trabalho de Lygia Pape, que está sendo apresentada pela primeira vez no Reino Unido. Em cartaz até fevereiro de 2012, na Serpentine Gallery, em Londres, a mostra reúne várias obras, algumas conhecidas e outras inéditas, cobrindo escultura, performances, pinturas, filmes, poemas, gravuras e colagens da artista.

A exposição “Espaço magnetizado” apresenta obras de toda a carreira de Pape, incluindo os primeiros desenhos e poemas de seu período Neoconcreto, como livros, a série batizada de “Caixas”, balés e performances, a obra “Divisor” e “O ovo”. Muitos destes trabalhos foram criados em resposta à repressão política crescente no final dos anos 1960 no país e reflete a visão crítica da artista sobre a elite brasileira. Pape centrou-se na representação da emoção e da sensação, que foram descritas pelo artista Hélio Oiticica, contemporâneo de Pape, como “sementes permanentemente abertas.”

Com seu incrível estilo de produzir arte, Lygia Pape (1927–2004) deixou cair as barreiras entre o espectador e a obra, manipulando linguagens visuais e espaciais para fazer do trabalho artístico uma construção permanente. Pape é conhecida pela realização de gravuras e composições complexas, algo que ela repetiu mais tarde em suas instalações. Sua busca constante por uma linguagem dedicada a incorporar o espectador à obra a levou a trabalhar com crianças das favelas do Rio de Janeiro, onde criou uma invenção singular com grandes telas brancas, repletas de buracos perfurados em que crianças passavam suas cabeças e, sem saber, faziam parte de uma obra de arte no simples ato de brincar. Serpentine Gallery, Kensington Gardens, London, W2 3XA

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Brasília

Por seu nascimento quase mítico, Brasília se revela nas fotografias de Marcel Gautherot como uma cidade prometida de arquitetura arrojada mas perdida em meio a solidão de uma área inóspita no coração do país. O livro “Brasília”, lançado pelo Instituto Moreira Salles, conta a história dessa empreitada arquitetural através de 153 imagens do fotógrafo francês Marcel Gautherot, feitas entre os anos de 1958 e meados da década de 1960, época da construção da futura Capital do país.

Considerado “o mais artista dos fotógrafos”, Gautherot – que não concluiu o curso de  arquitetura – cultivava uma paixão enorme pelo Brasil a ponto de abandonar sua vida parisiense para se instalar no Rio de Janeiro até a sua morte. Com seu olhar apaixonado e, ao mesmo tempo, quase clínico, ele capturou em preto e branco imagens de uma Brasília promissora e ameaçadora, enorme e frágil com suas linhas arquiteturais precisas que formam contornos nítidos, quase absolutos, nos horizontes da capital Federal.

Influenciado pelas referências das obras de Le Corbusier e Van der Rohe, e da elite dos arquitetos modernistas brasileiros – Oscar Niemeyer, Afonso Reidy e Lucio Costa – o fotógrafo transpôs sua técnica aguçada ao capturar com arte a construção de uma cidade símbolo da arquitetura moderna.

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