Monthly Archives: março 2012

Sob pressão

“Há algum tempo eu desenhei um cardigã para mim. Era algo como um sweat-shirt tal qual uma roupa da Renascença”, conta a estilista agnès b. durante a abertura de sua boutique efêmera na loja multimarcas Franck & Fils. Para festejar essa parceria, agnès b. apresenta uma exposição com várias fotografias de cardigans. Muitas delas realizadas em 1994 e outras clicadas especialemente para essa nova exposição feitas por grandes fotógrafos como Dominique Isserman, Jean Baptiste Mondino, Steve Hiett, Martine Franck, entre outros. O stand agnès b. instalado até 05 de maio tem umas peças bem bacanas e novidades exclusivas para a Franck et Fils que fica aqui: 80, rue de Passy, Paris 16.

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Arte conceitual

Estética industrial em concreto armado, pilastras de ferro aparente com teto envidraçado. Essa é arquitetura do Cent Quatre que passou dois anos em reforma antes de abrir suas portas ao público no final de 2008 para tornar-se o centro artístico por excelência da cidade.

Graças à política cultural do prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, o local foi planejado para acolher artistas-residentes de todas as partes do mundo e transformou-se em pouco tempo na opção preferida para a promoção de festivais musicais, exposições, conferências, ateliês, feiras de arte e desfiles de moda, como os dos estilistas Alexandre McQueen e da Maison Martin Margiela, em 2010, que souberam aproveitar dos quase 40.000 m² do local para organizar passarelas com mise en scène teatral. Esse espaço artístico, único no mundo, abriga uma livraria, um restaurante e La Maison des Petits espaço lúdico imaginado pela designer Matali Crasset, dedicado exclusivamente para pais e filhos.

 Le 104: 11, bis rue Curial, Paris 19

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Les Fées

A boutique Les Fées, situada no descolado bairro do Marais, é especializada na decoração de ambientes, com uma seleção de objetos singulares onde todas as peças tem um design fantástico, no sentido de surreal. Sugestões incríveis que vão do mobiliário surrealista aos tecidos étnicos, tudo, para deixar a casa com ares modernos, afinal, é exatamente esse o tom das peças coletadas e garimpadas ao redor do mundo. A dica, portanto, é se esbaldar com as inúmeras opções em cristal de Murano, animais empalhados à perfeição e porcelanas refinadas pintadas à mão. Deixe a imaginação fluir livremente porque, uma vez na loja, é impossível sair de mãos vazias.

Les Fées: 19, Rue Charlot, Paris 03. Telefone : +33 (0) 143 701 476.

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Delicioso

Grégory Marchand, o chef do restaurante Frenchie, um dos melhores achados gastronômicos parisienses com excelente equilíbrio preço-qualidade, lançou o seu livro de receitas “La cuisine du Frenchie at home”, edições Alternatives. Lê-lo é uma delícia, apesar de ainda não ter me aventurado em imitar suas receitas. A ideia de Marchand é instingar seus clientes a fazer o que ele faz com talento acreditando que tudo é muito fácil e simples de se executar em cozinha. No final da leitura fiquei pensando que o chef quer mesmo é que voltemos para degustar suas delícias, apreciando ainda mais seu conhecimento gastronômico adquirido em suas viagens internacionais.

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Paris Art Fair

Séries limitadas, grandes formatos e muita fotografia estão à espera dos investidores em arte moderna e contemporânea durante a Paris Art Fair que acontece de 29 de março a primeiro de abril, das 11h30 às 20h. O lugar não poderia ser mais adequado: a nave gigante do Grand Palais acolhe 120 galerias sendo 40% estrangeiras se disputam para impressionar os marchands e o público em geral, apresentando suas obras com um mise en scène surreal. Dá para passar parte do dia fazendo descobertas artísticas impressionantes em cada uma das galerias. A China é um dos países em destaque.

 

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Restaurante de palácio

O teatro Opéra Garnier, em Paris, instalou seu primeiro restaurante onde, no passado, as carruagens desembarcavam as famílias que vinham assistir aos espetáculos. A construção do L’Opéra Restaurant, dentro do Palais Garnier, obedeceu às regras e exigências da Comissão Nacional dos Monumentos Históricos, visando preservar a identidade visual do local.

Teto escultural, biombos de vidro que envolvem colunas, além do mobiliário e dos tapetes vermelhos, conferem uma forma orgânica ao L’Opéra Restaurant. Para tirar partido dessa construção emblemática, a arquiteta francesa Odile Decq apostou num projeto contemporâneo, onde biombos de vidro em formas sinuosas elevam-se até o teto, abraçando as pilastras centenárias, sem tocá-las.

A área interna do restaurante, que ocupa 788 m², foi dividida em três espaços: salão, lounge-bar Martini e mezzanine. Na parte exterior, mesas de um vermelho particular, “não é um vermelho-sangue, nem um vermelho da China, é simplesmente uma cor forte e intensa que evoca a vida”, afirma a arquiteta, invadiram o pátio, um espaço de mais de 500 m² no coração da cidade.

O menu custa cerca de 70 Euros – entrada, prato principal, sobremesa – e é assinado por Christophe Aribert, duas estrelas no guia Michelin. Aberto ao público em geral todos os dias das 7h à meia-noite. Opéra Palais Garnier: Place Jacques Rouché, Paris 9. Telefone (+33) 142 688 680.

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Luxo durável

1618 não é um código secreto para acessar o luxo, é apenas uma equação matemática que define a proporção de algo divino e inspirou o nome de batismo deste evento. Explicações metafísicas à parte, esse salão especializado no consumo consciente do luxopropõe uma seleção de marcas de moda, joalheria, turismo, automóveis, design, serviços, expõem suas últimas criações e propostas dentor do conceito de consumo consciente e responsável.

A cenografia é bárbara. Carros híbridos e elétricos, bicicletas modernosas e  mil outros objetos fantásticos dão o tom desse salão de luxo especializado em bens duráveis de alto valor agregado. Uma ideia interessante, que promete promover a percepção de um mercado exclusivo e em permanente progressão. Até 01 de abril na Cité de la Mode et du design: 34, quai d’Austerlitz, Paris 13.

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Toulouse-Lautrec

Entre 1888 e 1898, Henri de Toulouse-Lautrec produziu suas melhores obras de arte. Ele não somente pintou mas fez uma infinidade de cartazes, todos, relacionados a sua intensa vida social, quando passava bastante tempo nos cinemas, cabarés e cafés-concertos.

Apaixonado pela vida boêmia, talvez por medo de não ser aceito pela sociedade por causa de sua deformação física, escolheu amigos igualmente marginalizados, como artistas de circo, cafetões e prostitutas. Vivendo principalmente nos bordéis, Toulouse-Lautrec bebeu muito álcool, especialmente absinto, e sua vida tornou-se cada vez mais sem rumo. Os historiadores relatam que ele sempre escondeu uma garrafa de álcool em sua bengala.

A cidade de Albi, nos pirineus franceses, renovou completamente o museu Toulouse-Lautrec dedicado ao filho mais ilustre da cidade. Em suas salas é possível apreciar uma quantidade significativa de cartazes e quadros pintados pelo artista, além da reconstituição de grande parte do história da sua vida. A casa da família fica nas redondezas da cidade e também é um ponto turístico a ser visitado.

Em fevereiro de 1899, ele teve um colapso nervoso e foi confinado em um sanatório, quando saiu, em dezembro do mesmo ano, recomeçou a pintar, mas nesta fase suas obras não foram tão brilhantes como aquelas de antes do seu esgotamento. “Eu sabia que um dia você ainda se mataria…” frase sarcástica do seu pai, um caçador aristocrata, quando vinha vê-lo em Paris, deixou-o ainda mais desanimado e, em 01 de março de 1901, ele caiu numa depressão ainda mais grave. Antes de desfalecer, exprimiu com pesar: “La vie est belle”, falecendo logo depois, no mês de setembro, com a idade de trinta e sete anos.

www.museetoulouselautrec.net

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Chá da tarde

As delícias do premiado chef pâtissier Carl Marletti são simplesmente  irresistíveis. Para os apaixonados por guloseimas o charmoso hotel Le Six tem uma incrível opção de tea time de quarta-feira à sábado, das 16h às 18h. Acompanhadas de uma bebida quente ou de sucos de frutas naturais com sabores exóticos como pera Williams ou canela apimentada, as delícias de Carl deixam um gostinho de quero mais. No hotel, converse com a Ângela uma paulista super-simpática que trabalha no receptivo de brasileiros. Tea Time do Le Six – 14, rue Stanislas Paris 6.

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Medusa

Escritora francesa desvenda os mistérios da vida de Brigitte Bardot, uma das atrizes mais famosas de todos os tempos. Depois de retratar em livro Yves Saint-Laurent*, Serge Gainsbourg e Françoise Sagan, a escritora e jornalista Marie-Dominique Lelièvre, lançou “Brigitte Bardot, plein la vue” (Editora Flammarion, inédito no Brasil). Em tradução literal “BB, olhar pleno”, referência explícita à ambliopia da atriz, a autora traça um portrait apaixonado sobre a vida de uma das mulheres mais cobiçadas de sua época.

“Não importava o que estivesse vestindo, ela eclipsava até o sol com sua beleza sexy e selvagem. Apesar dessa imagem de femme fatale, Bardot não tinha confiança em si mesmo”, conta Lelièvre. Um episódio ocorrido na infância da atriz forjou para sempre sua personalidade. Nascida e criada num dos bairros burgueses de Paris, o XVI ème arrondissement, ela e a irmã quebraram, sem querer, um vaso de porcelana chinesa e, como punição, a mãe as excluiu do convívio familiar. Brigitte tinha 7 anos. Esse acontecimento foi tão marcante que nunca mais ela se sentiu adequada. Estrangeira no próprio lar e sobrevivente de si mesma, Bardot aprendeu que abandonar é melhor que ser abandonada. Com esse leitmotif ela seduziu os homens mais poderosos do seu tempo para depois deixá-los à deriva do seu encantamento fatal.

* Traduzido no Brasil com o título “Saint-Laurent: a arte da elegância” pela editora Nacional.

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