Monthly Archives: janeiro 2012

Indochina

Um artista é alguém que pensa com as mãos. Alguém que transpõe para a tela tudo o que vê. Sem dúvida esse era um dos atributos que não faltavam a Alix Aymé, que durante suas viagens à China, ao Camboja, ao Laos, ao Vietnã e à Indonésia transformou todas as suas experiências visuais em obras de arte. O livro “Alix Aymé, uma artista pintora na Indochina, 1920-1945”, publicado em versão bilingüe francês-inglês, pela editora Somogy, contém 120 páginas com igual quantidade de ilustrações, que perfazem 25 anos fazendo referência às principais obras reproduzidas em tela, aquarelas e laca dessa pintora magistral.

Alix Aymé nasceu em Marselha, em 1894, com o nome de Alix Angèle Marguerite Hava. Ela foi aluna e colaboradora de Maurice Denis (1870-1943), reconhecidamente um dos maiores pintores de sua época, que tem como características artísticas realizar grandes composições decorativas num estilo clássico. O melhor exemplo de sua obra é a ornamentação do teto do teatro parisiense Champs-Élysées, executada em 1912, que contou com a participação de Aymé. Algumas das páginas de “Alix Aymé, uma pintora francesa na Indochina, 1920-1945” reproduz uma dezena de correspondências trocadas entre a aluna e o eterno mestre. Numa delas, a artista comenta suas aventuras, as descobertas feitas nesses países tão longínquos e sobre os novos estilos artísticos que encontrava.

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Arte móbile

Homenageado pelo Guggenheim de Nova Iorque, o artista italiano Maurizio Cattelan escolheu suspender suas obras em lugar de distribuí-las nas salas. Resistindo ao modelo convencional, Cattelan criou um mecanismo contrário aos hábitos constituídos pelos museus e suspendeu suas obras como peças de roupas colocadas para secar ao sol.

O grande átrio do Guggenheim de Nova Iorque está irreconhecível com as centenas de peças do multimídia Maurizio Cattelan. Especialmente para essa retrospectiva nenhuma de suas obras, nem mesmo as fotos ou ilustrações estão na parede, todas elas se encontram suspensas por meio de centenas de cordas e andaimes. A intenção dessa proposta é não apenas evitar uma apresentação linear mas, também, driblar a postura imposta ao espectador, comumente visto no processo de reflexão, em frente a uma obra, num museu tradicional.

A exposição “All” é uma retrospectiva solo em torno do artista que abrange cerca de 130 obras, datando do início da sua carreira, em 1989, além de peças impossíveis de serem reconstruídas e projetos mais recentes. As propostas artísticas de Cattelan estão relacionadas a temas como religião, crítica social e cultura popular, desenvolvidas a partir de uma perspectiva única, com ênfase na ironia e irreverência. Uma fórmula usada para atrair a atenção sobre sua arte simbólica que o artista pretende aposentar, tão logo a exposição chegue ao fim.

 

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H.Stern

Completamente reformada, a loja da H.Stern, na Quinta Avenida, em Nova York, foi pensada para que os clientes se sintam confortáveis, num ambiente aconchegante e sofisticado, na hora de adquirir jóias com o design das pedras preciosas Made in Brazil. Do alto do mezzanino com seu piso envidraçado, avista-se a loja toda, inclusive, a charmosa bancada que serve café e deliciosos petiscos para uma parada estratégica.

www.hstern.com.br

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Anne Fontaine

Estilista brasileira sensação na Europa, Anne Fontaine ocupa uma suntuosa Flagship Store na Madison Avenue. A famosa marca, emblemática pelas camisas brancas, recebe os clientes  mantendo uma relação íntima e misteriosa através de enormes janelas em fumê que escondem um interior composto exclusivamente de materiais naturais em tons brancos.

Boutique Anne Fontaine – 677, Madison Avenue  New York, NY 10065.

 

 

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Uma loira em Manhattan

Autor francês conta em livro como foi feita a fotografia que mostra Marilyn Monroe se perfumando com o Chanel nº 5. A imagem de Marilyn Monroe colocando sensualmente algumas gotas do perfume Chanel em sua suíte no Ambassador Hotel, em Nova York que, é tão mítica quanto a super-star, mas essa fotografia poderia nunca ter sido conhecida do grande público se não fosse a obstinação de um detetive que buscava pistas sobre a história de um certo fotógrafo, Ed Feingersh.

Essa e muitas outras histórias podem ser conferidas no livro “Uma loira em Manhattan”, de Adrien Gombeaud, lançado pela editora francesa Le Serpent à Plumes, que descreve uma parte esquecida desse encontro repleto de belas imagens entre o fotógrafo Ed Feingersh e a atriz Marilyn Monroe. O livro-documentário revela algumas passagens desse mito dos anos 50 e um fotógrafo conhecido por seu talento, mas não na mesma proporção que a artista.

“Das lentes de Ed Feingersh jorram imagens sensíveis de uma mulher cheia de energia mas que passava da melancolia à alegria e à tristeza em questão de segundos. Tal qual uma atriz que sabe muito bem esconder seus reais sentimentos”, relata o autor Adrien Gombeaud. “No entanto, alguns desses clichês mostram a verdadeira Marilyn, angustiada pelo peso do seu estrelato e uma mulher inteligente, com uma mente incrível, alguém que estava muito além do seu tempo”, atesta Gombeaud.

O ano é 1955 e Marilyn Monroe, cansada de ser tratada como ‘loira sem cérebro’, decide abandonar Hollywood e seu marido Arthur Miller para recriar sua imagem e se livrar em parte da pressão dos estúdios da Twentieth Century Fox. Sozinha e livre para se reinventar, ela frequenta a elite intelectual novaiorquina e os cursos do Actors Studio, além de ter como objetivo criar sua própria produtora de filmes, a Marilyn Monroe Productions. Nesse mesmo período a revista feminina Redbook engaja Ed Feingersh para acompanhar Marilyn Monroe durante uma semana.

Cinquenta anos depois da aparição dessas imagens, descobertas por acaso, algumas das perguntas que ficam é: o que aconteceu durante essa semana? Qual a relação que nasceu entre o fotógrafo e sua modelo? O que as fotografias não revelaram? Até que ponto Marilyn Monroe não se forjou um personagem dela mesma? Sem pré-julgamentos, Adrien Gombeaud tenta decifrar e responder de forma elegante a essas e outras questões a partir de uma pesquisa documental fundamentada nas histórias impressionantes em torno dessas fotografias, relatadas através de entrevistas com os amigos de Ed Feingersh e os editores da revista Redbook.

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Queue-de-pie

Couro de crocodilo transforma-se em smoking para ser a grande vedete da retrospectiva em torno de Azzedine Alaïa. De frente, um simples smoking em formato queue-de-pie esconde nas costas a extraordinária pele de um crocodilo e toda a genialidade do estilista tunisiano Azzedine Alaïa, 71 anos. “A ideia surgiu durante uma das minhas visitas aos arredores de Paris, onde costumo escolher peles raras”, conta o estilista. “Quando avistei essa peça em couro, que reproduz quase em sua totalidade o formato do animal, pensei em criar esse smoking.” A invenção insólita fica em exposição até maio no Museu Groninger, na Holanda.

Além dessa inspiração original, longos e insinuantes vestidos, que sugerem formas perfeitas e curvilíneas à la Belle Époque, estão expostos para apreciação dos visitantes. Casacos, mantôs, fourrures e peles de cordeiro da Mongólia, desenhados propositalmente para envolver com volúpia o corpo feminino, marcando a cintura e delineando os seios, estão dispostos por família de tecidos, onde as roupas parecem se comunicar entre si. O museu estabeleceu para cada sala uma cenografia diferente que obedece aos critérios das matérias-primas utilizadas: couros exóticos, musseline de seda, malha ou veludo.

Conhecido pela sua ousadia criativa que transforma as mulheres em estátuas de perfeição com costuras que transcendem as linhas clássicas, Alaïa é um verdadeiro criador de roupas no sentido estrito do termo. Diferentemente dos designers que fazem burburinho na moda, ele mantém-se discreto e pouco afeito ao showbizz. Isso não impede que personalidades glamourosas, como Naomi Campbell ou Mathilde de Rothschild, desfilem suas criações sensuais em festas badaladas.

No século passado Greta Garbo assumiu com desenvoltura e elegância um tailleur cor-de-rosa e neste século 21 Sofia Copolla e Michelle Obama não resistiram ao fascínio do traço desse costureiro apaixonado pelo seu ofício. A cineasta escolheu um vestido discreto para seu casamento no ano passado e a Primeira Dama dos Estados Unidos encarnou um tricotado teatral ao estilo Alaïa. Alçado ao Olimpo dos grandes estilistas, como Christian Dior, Madeleine Vionnet, Cristobal Balenciaga e Madame Grès, Azzedine Alaïa é um dos últimos costureiros em atividade capaz de transformar um vestido drapeado numa obra de arte.

Para transmitir seu savoir-faire o estilista pretende criar uma fundação onde os estudantes de moda possam aperfeiçoar seu talento. Além de abrigar sua coleção pessoal de roupas de alta-costura e fotografias, uma das paixões do estilista, o objetivo da instituição é ensinar aos jovens designers a arte de costurar.

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