Monthly Archives: janeiro 2012

Brasília

Por seu nascimento quase mítico, Brasília se revela nas fotografias de Marcel Gautherot como uma cidade prometida de arquitetura arrojada mas perdida em meio a solidão de uma área inóspita no coração do país. O livro “Brasília”, lançado pelo Instituto Moreira Salles, conta a história dessa empreitada arquitetural através de 153 imagens do fotógrafo francês Marcel Gautherot, feitas entre os anos de 1958 e meados da década de 1960, época da construção da futura Capital do país.

Considerado “o mais artista dos fotógrafos”, Gautherot – que não concluiu o curso de  arquitetura – cultivava uma paixão enorme pelo Brasil a ponto de abandonar sua vida parisiense para se instalar no Rio de Janeiro até a sua morte. Com seu olhar apaixonado e, ao mesmo tempo, quase clínico, ele capturou em preto e branco imagens de uma Brasília promissora e ameaçadora, enorme e frágil com suas linhas arquiteturais precisas que formam contornos nítidos, quase absolutos, nos horizontes da capital Federal.

Influenciado pelas referências das obras de Le Corbusier e Van der Rohe, e da elite dos arquitetos modernistas brasileiros – Oscar Niemeyer, Afonso Reidy e Lucio Costa – o fotógrafo transpôs sua técnica aguçada ao capturar com arte a construção de uma cidade símbolo da arquitetura moderna.

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Andrew Yang

Do estilista Gareth Pugh à Marc Jacobs todos adoram as bonecas estilizadas de Andrew Yang de traços delicados que denotam uma beleza andrógina. No corpo esguio, tatuagens no peito e flores decalcadas, uma em cada ombro, intercaladas por citações. Esse jovem designer em ascensão e o mais novo queridinho de estilistas, editoras e produtores internacionais. O circuito da moda parece estar, literalmente, aos seus pés e das suas Kouklitas, nome de batismo de suas bonecas.

Aliás, no mundo de Yang tudo pode se transformar numa boneca de pano estilizada, graças às suas mãos habilidosas e ao seu talento original. Dos editoriais e capas de revistas internacionais, produzidas especialmente com a imagem de suas Kouklitas, aos modelos de cópia conforme de grandes personalidades do showbizz, tudo pode ser personalizado em bonecas de pano por esse designer.

Surpreendentemente, ele já transformou suas bonecas em referência para a alta-costura e maisons, como Lanvin e Givenchy, tem solicitado cada vez mais o seu trabalho para ilustrar catálogos e coleções cápsulas. Nada mal para quem começou desenhando roupas para a Barbie e hoje vende suas bonecas nas maiores lojas de departamento ao redor do mundo, além de ter conseguido transformar o seu hobbie numa maneira singular de manter a mídia interessada em suas coleções de bonecas feitas à mão. Quem deseja encomendar um modelo customizado da sua própria Kouklitas, deve contatar o designer no site: www.kouklitas.com

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Showroom

Depois de Paris, Bangkok, Nova York e Saint-Barthélémy, agora é Londres quem acolhe o showroom do designer francês Christian Liaigre. Conhecido pelas linhas sofisticadas de suas criações, Liaigre consegue aliar simplicidade com uma grande elegância.

www.christian-liaigre.co.uk

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Teto iluminado

Conhecido pelo grande público pelas suas colunas em preto e branco na Cour d’honneur do Palais-Royal, em Paris, Daniel Buren é o artista convidado da Monumenta 2012 no Grand Palais, ocupando toda a nave desse espaço majestoso. Para tirar proveito da luz natural e da arquitetura do local que se impõe como obra de arte, Buren distribuiu enormes rodelas de plástico colorido que ao receberem a luz do sol criam a ilusão de um solo multicolor. O artista se apropriou do espaço para captar o que ele tem de melhor: sua luminosidade. Ao visitar a Monumenta de 2012 a sensação é a de estar abrigada num jardim de cogumelos, onde a luz brinca o tempo inteiro com as cores dando um dégradé especial. Pela manhã, a exposição adquire uma tonalidade e, quanto mais o dia avança, as cores atingem outros reflexos que se transforma em sucessão até o pôr-do-sol. O que nesse princípio de primavera pode ser por volta das 21h. Então, quando há estrelas no céu, elas aparecem coloridas sob a nave do Gran Palais. O efeito é mágico e surpreendente.

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Caracol moderno

Metropol Parasol é a maior estrutura construída em madeira do mundo e novo ícone arquitetural de Sevilha, na Espanha, que abriga restaurantes, lojas e museu de arqueologia. Extremamente moderno com seus amplos espaços, Metropol Parasol contrasta com o bairro medieval que cerca o projeto. Das suas passarelas, localizadas na cobertura, os visitantes tem uma incrível vista panorâmica da cidade.

Proeza da arquitetura e obra de arte monumental, Metropol Parasol se impõe pelas suas dimensões onde, uma única peça de 18 mil m² de madeira Kelton, abriga seis parassóis gigantes de 26m de altura que se abrem sobre a Plaza de la Encarnación. O projeto é do escritório alemão J. Mayer H. Architects, que ganhou a concorrência internacional lançada por Sevilha em 2004 para renovação do seu centro histórico.

Erguido onde antes funcionava um estacionamento, essa estrutura em formato de champignon gigante cobre uma área de 150m x 70m e parece, literalmente, flutuar na Plaza de la Encarnación, graças à utilização de diferentes materiais, como o granito empregado para manter uma certa uniformidade urbana, enquanto o metal usado dá sustentação às bases das pilastras interiores. Estas desaparecem, à quatro metros de altura do solo, para revelar primorosas tramas desenhadas na madeira que compõem a cobertura porosa do prédio. O museu de arqueologia, assim como algumas lojas e mercados, se localizam na parte inferior do edifício. As grandes escadas que serpenteiam a obra são um convite para acessar a esplanada e descobrir, no coração de Metropol Parasol, um impressionante jogo de luz e sombra.

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Para boêmios

Silencio Club é mais que uma discoteca, é um local concebido para promover encontros e debates entre artistas de todos os horizontes em conformidade com o conceito de “arte total” imaginado por David  Lynch. O cineasta se inspirou no teatro fictício que aparece no seu filme Mulholland drive para criar, num dos bairros mais boêmios de Paris, o “Silencio Club”.

O local,  totalmente pensado por Lynch, ocupa 700 m² e pode ser acessado descendo-se dois lances de escadas. No sub-solo, encontra-se uma biblioteca-livraria, um bar em tonalidades  douradas com antigas estruturas metálicas à la Eiffel, o palco cercado por um arco escuro,  pista de dança, sala de projeção com 24 lugares, um fumoir ultra-moderno, iluminado com fibras óticas e banheiros com impressionantes jogos de espelhos.

Todos os elementos da decoração do Silencio Club parecem fazer parte de um filme hollywoodiano, em especial, o mobiliário com poltronas em cores sóbrias e formas geométricas imaginadas por Lynch e produzidas pela maison francesa Domeau & Pérès. Das 18h às 23h, somente os membros e associados tem acesso ao mundo misterioso do número 144 rue de Montmartre. Depois desse horário, o público em geral, ou cerca de 300 seletos clubbers, poderão adentrar nesse espaço privê, se passarem pelo casting da recepção.

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Malas com grife

Para entender o fascínio que os acessórios LVMH provocam, visitei os ateliês da marca nos arredores de Paris. No final de uma ruela que leva o nome do fundador, Louis Vuitton (1821-1892) montou em 1859 seu primeiro atelier, que fica em Asnières-sur-Seine. Situado ao norte da região Île-de-France e muito longe da loja global dos Champs Élysées, em Paris, as famosas malas e bolsas mais desejadas do planeta são fabricadas. Raros são os que podem adentrar para conhecer o DNA da marca, apenas convidados e jornalistas recebem o free-pass para visitar esse espaço quase rural.

Após atravessar o jardim, fomos recebidos na antiga residência da família com decoração, vitrais e mobiliário Art Nouveau, para descobrir os ateliês dessa autêntica maison. Em 2005, após um ano de renovação completa, as oficinas em Asnières foram reabertas e acolhem atualmente mais de 200 funcionários e a parte administrativa. Fiel às origens da arquitetura do local, os ateliês tem grandes janelas envidraçadas que permitem aos artesãos trabalharem sob o benefício da luz natural.

Aqui, em Asnières-sur-Seine, os artesãos são considerados como os verdadeiros artistas da marca. Uma equipe polivalente de especialistas para assegurar todos os pedidos personalizados que chegam do mundo inteiro. No total, cerca de 450 encomendas especiais são realizadas anualmente e muitas delas podem levar até seis meses para serem finalizadas.

Nesse bucólico endereço um dos herdeiros do grupo, Patrick-Louis Vuitton, que nasceu na casa colada aos ateliês, trabalha como Diretor do departamento de Encomendas Especiais e do projeto Excelência do savoir-faire, que tem como atributo estudar as solicitações personalizadas feitas pelos clientes. O local também abriga o Museu do Viajante com os protótipos das malas e os primeiros logos criados por Louis Vuitton.

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Arquiteturas pintadas

O Museu Thyssen-Bornemisza, em Madri, expõe até este mês grandes quadros de arquitetura, pintados nos séculos XIV e XVIII,  que desvendam a evolução arquitetônica dos tempos. Duccio di Buoninsegna, Canaletto, Giovanni Paolo Panini, Tintoretto, Gaspar van Wittel, Hubert Robert, Maerten van Heemskerck, Hans Vredeman de Vries são alguns dos grandes pintores que retrataram com sua arte a arquitetura secular da Europa.

Através de 140 telas com esse mote,Arquiteturas pintadas, do século XVIII ao Renascimento”, busca destacar as nuances que aparecem nessas obras para melhor compreender a evolução arquitetônica ao longo dos tempos. O fio condutor dessa mostra envolve arquitetura e decoração como elementos artísticos a partir dos quais os mestres da pintura se concentravam com o intuito de lançar um olhar artístico sobre a realidade daquela época.

A exposição é organizada como numa turnê, obedecendo uma ordem cronológica e temática, cobrindo ao mesmo tempo os séculos XIV e XVIII. Durante esta época, a pintura da arquitetura das cidades era considerada um gênero inferior e foi muitas vezes usada como pano de fundo de cenas religiosas, históricas, mitológicas, mas ganhou destaque cada vez maior, chegando a se consolidar como um gênero independente de arte no século XVIII.

Para ilustrar esta fase, a cenografia da exposição concentrou-se sobre algumas telas, que retratam com grandiloqüência paisagens em ruínas e os caprichos arquitetônicos da realeza. Ainda naquele século, um número significativo dos pintores mais importantes, dedicou-se a trabalhar como cenógrafos, inclusive, com arquitetos importantes como Filippo Juvarra, que influenciou toda a Europa.

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Sur mesure

Numa época em que objetos raros e exclusivos são cada vez mais difíceis de ser encontrados, a maison parisiense Camille Fournet, apresenta uma coleção de bolsas especialmente produzidas em couro de jacaré e crocodilo com toques de refinamento. Uma variedade de carteiras-pochete, desenhadas especialmente para grandes eventos, festas e casamentos são propostas em modelos exclusivos. Através do “Cahier sur mesure”, a cliente pode escolher todas as combinações possíveis para o modelo que deseja, que serão desenhados à mão. Uma elegância rara indicada somente para quem deseja se diferenciar na multidão. Boutique Camille Fournet : 3, rue Alger, Paris 1.

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Fundo do mar

Estrelas do mar, medusas e bulbosas, esculpidas em formas diáfanas fazem parte da coleção de luminárias avant-garde criadas pela designer israelense Ayala Serfaty.

Conhecida pela sua sensibilidade estética e por dar formas femininas às suas criações, Ayala utiliza texturas e materiais diversos para compor peças decorativas, que traduzem com riqueza de detalhes o minimalismo de suas criações com forte apelo e referência à fauna e flora marinhas.

A silhueta da luz atravessando e delineando com suavidade as formas dos objetos criados por Serfaty com apelo biológico são compostas de filamentos finos de vidro retorcidos em estruturas espaciais que, juntamente com a pulverização em polímero geram uma fina membrana que dá forma aos desenhos de inspiração na vida submarina.

 

As luminárias de Serfaty podem ser encontradas nas coleções do Museu de Belas Artes de Boston, Museu de Artes e Design, em  Nova Iorque e no Museu de Arte de Tel Aviv. Ela faz parte de uma comissão artística do Museu Casa da Moeda, em Charlotte, na Carolina do Norte. Ao lado de seu trabalho de iluminação artística, Serfaty desenvolve projetos e móveis para seu atelier Aqua Creations Lighting & Furniture, baseado em Tel Aviv e tem escritórios de representação nos Estados Unidos, em Nova Iorque, na Holanda e em toda a Europa. www.ayalaserfaty.com

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